Olho preguiçoso: você já ouviu falar?

25/04/2017
Olho preguiçoso: você já ouviu falar?

Já ouviu falar em olho preguiçoso? Esta expressão é relativamente pouco conhecida, sendo na maioria dos casos associada à imagem da criança com um dos olhos tapados. Contrariamente ao que se pensa, o olho coberto é o que está saudável.  Isto faz parte de uma ação curativa, que pretende obrigar o olho preguiçoso a ver, sem que para isso seja necessário a intervenção do outro.

A expressão, mais ou menos popular,  de "olho preguiçoso" é habitualmente utilizada nos casos em que a Oftalmologia diagnostica uma ambliopia.  Esta doença pode ser definida como uma acuidade ou percepção visual diminuída, sem existir uma lesão orgânica que a justifique. 


Das causas às consequências

São várias, sendo as mais frequentes os estrabismos, as anisometropias (grandes diferenças nas “graduações” de um olho em relação ao outro), os nistagmos (movimentos involuntários de oscilação dos olhos), o não tratamento de doenças que diminuem a transparência dos meios oculares (ex.: cataratas) e ainda as ambliopias de causa inexplicável.

O diagnóstico é relativamente simples, basta para isso que vá a uma consulta com o oftalmologista, que logo é detectado o problema:  Sempre que existam sintomas oftalmológicos suspeitos como o estrabismo, olho vermelho permanente, secreção ocular, pupila branca, ou outras deformações oculares, as crianças devem de imediato ser observadas. A idade mais indicada para um exame são os 5 anos, porque ainda se vai a tempo de tratar disfunções não detectadas.

O fator-chave é a constatação de uma acuidade visual baixa, principalmente comparando-a com a do olho oposto. "Há autores que consideram que uma diferença superior a 30% nas acuidades visuais pode diagnosticar a ambliopia no olho com a menor acuidade.

A avaliação da percepção visual pode ser muito simples em um adulto. Basta pedir que seja lida uma tabela de optótipos (letras de tamanhos padronizados) que, para a mesma distância, vão diminuindo de tamanho e a cada tamanho corresponde uma percentagem crescente de acuidade visual. Contudo, este teste pode tornar-se difícil ou impossível em crianças (principalmente com menos de 5 anos) ou até mesmo em adultos que não colaborem.  Existem testes (avaliação do modo de fixação) que podem levantar a suspeita da existência de uma ambliopia numa criança com menos de 5 anos de idade.

O principal sintoma da ambliopia é que o olho preguiçoso vê mal. Esta doença pode trazer várias consequências, umas diretas, outras indiretamente relacionadas com a função visual.

A mais evidente é a existência de um olho que vê menos do que seria esperado. Mais tarde esse olho pode desenvolver um estrabismo. Outra consequência importante é o não desenvolvimento da visão binocular. Nestes casos, as pessoas afetadas não desenvolvem a estereopsia que lhes permite ter uma percepção correta e rápida da visão tridimensional.

Indiretamente, as pessoas com um olho amblíope podem ter problemas no desempenho de algumas ações ou no desempenho de determinadas profissões. Por exemplo, é difícil imaginar um cirurgião ou um piloto profissional com uma ambliopia.



Ambliopia e estrabismo

Uma pergunta bastante frequente é se o estrabismo leva à ambliopia ou se acontece o inverso. "Discutir se é o estrabismo que leva à ambliopia ou o oposto pode ser tão esclarecedor como tentar saber se foi o ovo ou a galinha que surgiram em primeiro lugar! As duas condições andam na maior parte das vezes associadas. Embora em muitos casos seja impossível determinar o ponto de partida, existem casos em que é possível reconhecer a evolução dos acontecimentos. Por exemplo, um recém-nascido que nasça com uma catarata congénita e que não seja tratado a tempo ficará amblíope do olho afetado e mais tarde desenvolverá um estrabismo nesse olho.

A eficácia dos tratamentos, pode - se classificar em dois tipos distintos: a obtenção de resultados funcionais e os resultados estéticos. O melhor resultado funcional ocorre quando o olho amblíope recupera a acuidade visual. Habitualmente, esta situação é acompanhada pela cura do estrabismo associado. Infelizmente, nem sempre se consegue obter este resultado e as causas são várias.


Um diagnóstico ou tratamento tardios, o não cumprimento do tratamento programado, um estrabismo que surge antes dos dois anos de idade ou a existência de lesões orgânicas graves, como a catarata congênita unilateral, tumores ou doenças da retina, são das causas mais frequentes do insucesso total ou relativo do tratamento.

Quando já não é possível recuperar a acuidade visual do olho amblíope, o objetivo pode apenas ser a obtenção de uma correção estética do olho estrábico, ou seja, obter o alinhamento dos dois olhos. Geralmente, nestas situações, a cirurgia, por vezes dos dois olhos, torna-se necessária.

 

Fonte: Portal da Oftalmologia